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25/04/2020

Moro deixa o Ministério da Justiça

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A chefia da PF estava a cargo de Maurício Valeixo, homem indicado por Moro e de sua confiança. Sua exoneração foi publicada hoje no Diário Oficial, segundo o decreto, "a pedido" do próprio Valeixo.

Na coletiva desta sexta-feira, Sergio Moro disse que sua saída se deu porque Bolsonaro tentou se imiscuir na atuação da Polícia Federal.

Moro citou ações anteriores de Bolsonaro, como trocas de superintendentes, situações que foram vistas por Moro como técnicas. "O presidente, no entanto, insistiu na troca do diretor-Geral."

Para o então ministro, não haveria problema, contanto que houvesse uma causa. Foram três os grande problemas sobre a troca: não foi cumprido o combinado de que o ministro teria carta branca no comando do ministério; que não houve uma causa; e que estaria havendo uma intervenção política no cargo, "o que gera perda de credibilidade".

Ele destacou que houve, no passado, tentativa de troca política, que não durou mais de três meses porque a própria instituição rejeitou a possibilidade.

"O presidente me quer realmente fora do cargo."

Ele destacou que há outras divergências com o presidente da República - e que houve também convergências.

"De todo modo, meu entendimento foi que eu não tinha como aceitar essa substituição. (...) Tenho que preservar o compromisso que assumi, com o próprio presidente, de que seriamos firmes no combate à corrupção. Temos que garantir o respeito à lei e a própria autonomia da PF contra interferências políticas. O presidente tem competência para indicar o diretor-Geral, mas ele assumiu compromisso comigo de que eu faria essa escolha. Pode ser alterado o diretor-geral desde que tenha uma causa consistência. Percebendo que essa troca pode levar a relações impróprias, não posso concordar."

Concluiu o pronunciamento dizendo que, independentemente de onde eu esteja, sempre vou estar à disposição do país.

Moro também reforçou seu discurso anticorrupção, lembrando atuação na operação Lava Jato.

Destacou que, diferentemente do que divulgado erroneamente, ele nunca estabeleceu como condição para assumir o ministério uma nomeação ao STF. "Nunca houve essa condição. Aceitar um cargo pensando em outro não é da minha natureza."

O ex-ministro revelou que, como estava abandonando uma carreira de 23 anos na magistratura, com perda de previdência, a única condição que impôs, à época, seria de que, "se algo me acontecesse, que minha família não ficasse desamparada, sem pensão".

Dentro do ministério, disse que a equipe tem atuado de forma integrada."Trabalhamos duro contra a criminalidade organizada. Não houve combate tão efetivo como houve nessa gestão. Trabalhamos não contra, mas com o governo."

Citou sua produtividade no cargo e que houve redução expressiva da criminalidade em 2019.

Entrevero semelhante se deu, novamente, em setembro passado. Moro já anunciava que, se uma canetada de Bolsonaro tirasse Valeixo, abandonaria o governo.

Além disso, no fim de janeiro, o presidente incentivou um movimento que pedia a recriação do Ministério da Segurança Pública. A mudança poderia impactar diretamente a pasta da Justiça, tirando a polícia de seu comando. Mas, ao menos até o momento, Bolsonaro desistiu da ideia.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, afirmou, nesta sexta-feira, 24, que o pedido de demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro, demonstra um" arrefecimento no combate ao desvio de dinheiro público no país ".

"Eu acho que a Lava Jato e a luta contra a corrupção simbolizaram uma sociedade que deixou de aceitar o inaceitável. Há pessoas que gostam mais e pessoas que gostam menos do ministro Sergio Moro, mas o fato é que ele é o símbolo desse processo histórico. E, portanto, eu acho que isso revela, como fatos já vinham revelando, um certo arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil."


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