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30/04/2020

Contradição Bolsonariana


Não é de hoje que algumas expectativas dos apoiadores de Jair Messias Bolsonaro, veem sendo minadas. A defesa outrora do porte de arma desburocratizado e amplo para os cidadãos, pauta tanto defendida na campanha, não foi possível colocar à frente.

Diferentes propostas não vingaram, por exemplo, a retaguarda jurídica para cidadão ser condecorado por ação de bravura ao reagir a assalto; o fim da redução de pena de presos e saídas temporárias; a redução da maioridade penal para 16 ou 17 anos; a proibição de adoção de crianças por casais homossexuais e ou trans.

Uma proposta cabe destacar aqui como sento fundamental para esclarecermos, e colocarmos luz sobre a realidade do planalto. Quando ainda candidato o presidente da república, exercia uma defesa veemente da reforma política, essa, que começaria por ele mesmo. Destacou-se nas redes sociais e por onde passou, explanava seu discurso ? esse que tecnicamente o elegeu presidente? dos quais dizia: "precisaríamos acabar com a velha política", usando como ?cabo eleitoral? a própria esquerda.

O ainda candidato, em 2018, por entrevistas expunha algumas ideias. Em matéria publicada no portal de notícia da globo, G1.com, faz-se um compilado de frases ditas por Jair Bolsonaro, em algumas ocasiões. Diz o pré-candidato, quando perguntado sobre seus projetos para o combate a corrupção:

"Eu vou nomear o meu time de ministros por critérios técnicos." - entrevista para a Band, 28/09/2018

Tais propostas, como essas mencionadas, atualmente parece esquecidas pelo atual presidente da república. O que pode espantar muito mais, é também a possível deslembrança ou indiferença por parte dos seus apoiadores. Àquilo quanto pode revelar um carácter muito peculiar dos seguidores, pois como os lulistas, esses se escondem atrás das pautas, matérias, objetos e questões que mais lhe interessa no momento, é um recorte mental voltado amenizar conflitos internos e um eminente abandono do apoio ao líder.

Nos últimos dias, os defensores mais assíduos do Presidente, além de divulgarem que o mesmo está sofrendo de uma possível conspiração nacional, para tirá-lo do poder. Acreditam fortemente que o líder é a grande vítima, pois assim como Dória, Witzel, Joice e outros, também o ex-juiz e ex-ministro da justiça Sérgio Moro, outrora amigo e aliado de primeira mão, são traidores sem escrúpulos, oportunistas pelo qual se fizeram nas costas de Jair Bolsonaro, tal qual são "aliados da esquerda e da globo, em uma conspiração".

Um coisa de incomum entre os lulistas e bolsonaristas, é a crítica a rede globo, causa que os dois lados levantam a mesmíssima bandeira. Hoje (29), o ex-presidente Lula em entrevista à rádio tupi, criticou Moro pela condução do processo que o condenou a 12 anos de prisão, e o atacou chamando-o de filho da globo.

Bolsonaro, no domingo 19 de abril em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, apoiou e discursou aos manifestantes presentes. A pauta referia-se, ao fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Tal fato, gerou uma série de denúncias dos quais, abriu-se um inquérito para apurar possível crime de responsabilidade. Outro inquerido que corre em sigilo de justiça, é o que busca apurar compartilhamento em massa de Fake News, cujo o mesmo chegou no "Gabinete do Ódio", supostamente comandado por Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente.

Um ex amigo próximo de Bolsonaro, cujo na campanha de 2018 ofereceu-lhe o partido para se candidatar, Valdemar Costa Neto ? acusado no mensalão, e símbolo da corrupção no país? em troca de apoio pediu entrada do PL no Banco do Nordeste, e o Chefe de Estado teria aceitado. Esse também negociou, vaga no Ministério da Saúde com o partido republicanos de Marcos Pereira (Dep-SP) e Edir Macedo; O PP ficou com as presidências do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), assim como outros partidos, também tiveram seu pedaço.

Líderes do centrão receberam das mãos do presidente um agrado para barrar o processo, caso for acusado de crime. Paulinho da Força (Solidariedade-SP), grande aliado do "mestre do centrão" Eduardo Cunha, disse que foi lhe oferecido cargo no porto de santos, porém recusou e disse não querer entrar no governo.

Em matéria publicada na página congressoemfoco.com, o deputado paulista Capitão Augusto, líder da bancada da segurança pública e filiado ao PL, diz:

"Bolsonaro a gente conhece", diz o líder parlamentar mencionado no início deste texto. "Quer se dar bem com a velha política debaixo da mesa e bate na velha política em cima da mesa. É o preço, a gente aceita. Do ponto de vista político, é muito melhor negociar com Bolsonaro do que com Mourão. A gente sabe como isso funciona. Ele é general, não chegou lá à toa, tem senso de estratégia, pode endurecer. Para que trocar? Alguém vai tomar mais cargo dele do que de Bolsonaro? Não vai funcionar".

Bolsonaro, é hoje como disseram os militares um "presidente zumbi", pelo qual corre atrás somente e puramente dos seus interesses. Não discute política de verdade, e quando se propõem a falar, o discurso é para sua tribo, seus aliados, pregando sempre para os convertidos da sua seita.