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07/05/2020

FOGO bolsonariano e sua vaidade


Nesse último domingo (03), à comparar pelo domingo 19 de abril, acompanhamos novamente uma lamentável cena de incentivo ao ataque, à democracia brasileira. Jovem democracia de 35 anos de idade, o período mais longo desse país. Até esse momento, nossas instituições são sólidas o suficiente para aguentar tais ataques, não há chances concretas de uma quebra democrática. Entretanto, o fogo que alimenta tal discurso não se cansa de tentar crescer.

Apesar do barulho que os apoiadores da ala radical conseguem causar, não é razoável acreditar que essa voz parte de uma maioria populacional. Quanto mais se concede atenção aos "loucos" seguidores, mais barulho e piruetas esses se concedem à fazer.

No momento que se enjoa da birra de uma criança, não dá-se doce a ela, pois, fica mal acostumada, e, sim, negamos atenção. E essa criança, sem pra quem possa apresentar-se e pleitear o colo, a mamadeira, o doce e a visibilidade. Logo, procura algo para se entreter, portanto, o fogo só é alimentado quando se tem oxigênio.

O grito de poucos pode-se ouvir ao longe, isso porque gritam continuamente, porém, um único ?berro? de muitos, a favor da democracia, cala os loucos e se pode ouvir eternamente, como de 1985 até 2020 (35 anos). Não seria errado dizer, que quando se clamam tão veementemente ao ódio, e a tortura, dar-se no indivíduo uma preocupação ? ainda mais quando trata-se de Brasil.

Os eleitores de 2018 não são ainda os mesmos, muitos abandonaram o governo, logo após consecutivas quedas, todas até então razoáveis e passivas de explicação ou defesa. A última, até essa ocasião, não é passiva de explicação plausível.

A demissão do ex-ministro Sérgio Moro, coloca o governo em cheque. Moro, foi interrogado à mando da PGR, pela Polícia Federal, depois de acusar o presidente da república de buscar interferir na PF, e requerer relatórios periódicos das investigações. O ex-ministro, depôs oito horas na sede da PF em Curitiba. No dia 04/05, a defesa do ex-juiz pediu a divulgação completa do depoimento, afim de preservar sua imagem frente as Fake News, envolvendo suas supostas denúncias na interrogação.

Depois desse depoimento, em entrevista concedida por Moro para a revista Veja, ele teria dito que em uma reunião foi ameaçado de ser retirado do cargo, por Bolsonaro, caso não fizesse a troca de Maurício Valeixo, ex-diretor geral da PF. Afirmou também, que essa reunião foi gravada, e que três ministros estavam presentes na hora e que teria como provar. Em consequência, os três ministros foram convocados a prestar depoimento pela então denúncia, entre eles militares.

Na terça-feira (05/05), foi divulgado pela impressa na íntegra o depoimento completo do ex-ministro Sergio Moro. Moro, fez questão de eximir-se do caso, colocando-se não como autor das denúncias, apresentando casos já conhecidos e transferindo a responsabilidade de provas, e apontado tais atitudes ao próprio presidente da república.

Claramente, Moro, não colocou todas as cartas na mesa, e o depoimento mais se pareceu com uma provocação aos ataques do governo e seus apoiadores. Oito horas de um depoimento fraco, e sem fatos novos, só pode deixar no ar o símbolo de que é uma possível jogada política.

Um governo desgastado abre espaço para atitudes desesperadas, logo, melhor do que destruir um governo, é fazer ele dependente dos seus esquemas. Talvez, seja esse o interesse político de incendiar o planalto, afim de que, assim como nos outros governos, abra-se espaço para maior movimento político.

Os militares a cada dia mais passam vergonha. São escândalos, infantilidade do presidente, desorganização, falta de comprometimento, denúncias, e o Chefe maior do Estado Brasileiro brincando no cargo. De um lado lutam os militares para conterem e amenizarem o coronavírus, do outro, o presidente que apoia e não restringe manifestação desnecessária, pois, simplesmente massageia o seu ego, e os manifestantes levantam placas com seu nome. Ego que vamos discutir aqui.

Denúncias, escândalos, demissões, filhos perturbados e 30 pedidos de impeachment, a única opção que resta é "jogar para galera", é apelar aos convertidos. Quando está-se desesperado, corre-se aos amigos, Bolsonaro fez o mesmo, e os seus velhos amigos do centrão estavam lá para ajudá-lo.

(aconselho leitura do artigo anterior a esse, link no final do texto)

A imprensa nos revela hoje (06/05), que como esperado, a moeda de troca do centrão para defender Bolsonaro, é cargos indicados do governo. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), foi doado a Fernando Marcondes de Araujo Leão, filiado ao Avante, mas foi indicado do PP, e era do PTB de Roberto Jefferson por décadas.

Todo esse movimento no Governo Federal, e a corrida por alinhar e aproximar a base só é necessária, pois, próprio presidente da república decide todos os dias, somente escutar à voz do seu próprio ego.

O então deputado Jair, passou 28 anos na escuridão do congresso nacional, sem visibilidade, sem esperança de crescimento, e também, sem relatar um projeto. Foi expulso do exército, e sempre quando possível, Bolsonaro faz questão de salientar aos ministros e a impressa que ele é o presidente, é ele quem manda, é quem decide.

É unanime dentro do governo, que muitas situações poderiam ser evitadas, caso Bolsonaro ouvisse com maior frequência os conselhos. Toda via, nem mesmo os militares que no início eram cotados para controlarem a situação, foram capazes, e hoje, se encontram tão perdidos quando o Chefe de Estado.

A vaidade Bolsonariana, é alimentada pela necessidade de atenção, o que os psicólogos chamam de DSM-IV, um transtorno dramático. O transtorno de personalidade, pelo qual o padrão está em busca de excessiva atenção. Segundo a APA (Associação Americana de Psicologia) suas relações pessoais são conturbadas, usam sempre de manipulação, necessitam de estrema aprovação popular, e para obter mais atenção acreditam ser sedutores e atraentes. Também, costumam ser invejosos com os que brilham mais do que eles. Por conseguinte, essa carência por atenção, esconde um grande egoísmo, e a única coisa que interessa são elas mesmas.

Elias Canetti, em seu livro Massa e Poder (Companhia de Bolso, tradução de Sérgio Tellaroli), revela no capítulo "símbolo de massa", o fogo como sendo um dos elementos representativos da massa humana. Mas, o que nos interessa aqui é sinalizar para um relato encaminhado por ele, onde Emil Kraepelin, psiquiatra alemão dos séculos XIX/XX, narra a história de uma senhora de idade.

Afim de não estender tal texto, resume-se.

A senhora, tinha um transtorno dramático de atenção, carregava sempre consigo um fósforo no bolso. Quando pequena sempre incendiará as florestas perto de sua casa, causou 20 incêndios e passou entorno de 24 anos na prisão.

Certa vez, quando já adulta e idosa, desesperadamente sentiu-se vontade de incendiar novamente uma floresta no local onde morava.

Assim ela fez, e quando o fogo começou a subir e as pessoas foram se aglomerando, e procurando entender o motivo, ela internamente inflava seu ego, e cada vez mais via-se refletida no fogo, como se ela mesmo fosse o fogo. Então, quando o número de pessoas era tamanho, ela pronunciava que era a responsável pelo incêndio, as pessoas a indagava, e quanto mais minucioso e detalhado o relato, mais ela seria olhada e contemplada.

Fato é que casos assim não são raros, e que na história se contempla ocasiões parecidas com essa. Portanto, afim de obter uma atenção desejada e negada durante determinado tempo da vida, um indivíduo é capaz de tais atos. O fogo une, o fogo esquenta, onde há fogo tem pessoas.

A alusão que podemos construir com o atual governante é essa. Os casos que derivam das atitudes do presidente, só nos faz crer que ele é, entre algumas observações, essa senhora que procura o incêndio afim de obter atenção necessária para manutenção do seu ego, é o alimento da sua vaidade. Para isso, levamos com base suas próprias palavras, suas atitudes com os ministros, e os fatos aqui já mencionados. Igualmente realizara, com os apoiadores mais fiéis, os militares, cujo o mesmo não cansa de envergonhar, por exemplo: por discursar em manifestação a favor de um golpe militar, em frente ao QG do exército, exército esse que evita tocar no assunto do "golpe".

Sempre que o planejado não sai como ele queria, e as consequências são politicamente desastrosas, corre-se aos convertidos apoiadores, aqueles que nos faz pensar, assim como no caso da esquerda, se também não são pagos para estar ali. O fogo político em nome da suposta moral, honradez, faz levantar essa tão imprescindível massa para o governo fragilizado de Jair Bolsonaro. Portanto, sua vaidade é para si instrumento fiel na condução de suas atitudes, sempre quando fala para o povo, refere-se aos mais próximos e a si mesmo.

LINK DO ARTIGO MENCIONADO ACIMA: