NOTÍCIAS

29/05/2020

Advogados são presos ao defender cliente em batalhão da PM; OAB apura abuso de autoridade [Assista o vídeo]

"Na semana passada, meu cliente foi parado pela PM de forma muito invasiva. Ele teve carro e correspondência violados. Tentaram tirar forro de porta, tirar o airbags", relatou o advogado. O cliente foi até o escritório e orientado, também, por tenente da polícia militar, a buscar os nomes dos militares no batalhão de Consolação para que a corporação pudesse apurar o ocorrido. Como o advogado José Ronaldo tinha outros compromissos,a advogada Renata acompanhou o cliente.

Na versão da advogada, ela e o cliente chegaram por volta das 13h. E lá, foram recebidos por um cabo da PM. "Foi quando ela se apresentou como advogada, pediu ao cabo que fornecesse os dados dos policiais que fizeram a abordagem", contou José Ronaldo. Na versão de Renata e do cliente, os policiais não aceitaram a solicitação. E teve policial que "deu risada" e que "debochou". "Disse que não conhecia ela, que nunca tinha ouvido falar o nome dela", relatou José Ronaldo.

Ele ainda conta que foi encaminhado para fazer o exame de corpo de delito e, na ocasião, mais violência por parte dos policiais: "eu fui sozinho na viatura. Fui mal tratado e ameaçado." O advogado ainda sustenta que o exame foi feito e constatou as agressões.

ASSISTA O VÍDEO

O presidente da subseção da OAB de Cambuí, Sérgio Adriano, informou que recebeu a denúncia e está se integrando sobre a situação.

O especialista explica que não existe prisão por desacato de advogado no exercício da sua profissão. A pessoa que estava filmando ou próprio advogado poderia prender o policial em flagrante por crime de abuso de autoridade. "Os outros policiais que assistiram podem responder por prevaricação, pois deixaram de praticar ato de oficio, qual seja prender o PM que praticou abuso de autoridade", acrescentou. Em nota, a OAB informou que repudia "veementemente as agressões sofridas pelos advogados Ronaldo de Almeida e Renata Almeida. Também esclareceu que já acionou o Ministério Público para instauração de ação penal contra os militares envolvidos. Informou, ainda, que acionou a Corregedoria da Polícia Militar para que o órgão da PM aplique sanções administrativas nos militares.

Veja Também